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03/09/2008
Mudança climática pode matar
milhões de pessoas até 2028
A mudança climática pode
provocar a morte de milhões de pessoas nos próximos 20 anos em
razão de seus efeitos sobre a nutrição e as doenças, segundo
especialistas reunidos em Libreville para uma conferência
interministerial sobre a saúde e o meio ambiente na África.
"Hipócrates já dizia que, para estudar medicina, é preciso
estudar o clima. A mudança climática teria efeitos diretos e
indiretos sobre a saúde das pessoas. Diretos com os desastres,
as inundações, as secas, mas também indiretos com as doenças",
analisou a doutora espanhola Maria Neira, diretora do
departamento de Saúde pública e meio ambiente da Organização
Mundial da Saúde (OMS).
"Entre a segunda metade dos anos 1970 e os anos 2000, a
mudança climática foi responsável por aproximadamente 150.000
mortes suplementares por ano. Ela atingiu de modo esmagador as
populações mais pobres. Segundo nossas estimativas, os dados
devem aumentar, e ainda estamos considerando apenas uma parte
das causas (de mortes decorrentes da mudança climática). É
somente a parte imersa do iceberg", afirmou à AFP o
pesquisador Diarmid Campbell-Lendrum, especialista do assunto
na OMS.
"Neste ritmo, o número de mortos, causados diretamente pela
mudança climática, ficará em milhões daqui 20 anos", disse
paralelamente à conferência interministerial sobre a saúde e o
meio ambiente na África, que está sendo realizada esta semana.
A
malária, por exemplo, deixa um milhão de mortos por ano e
atinge vários milhões de pessoas. "Já temos um grande problema
de malária, e a mudança climática vai torná-lo ainda mais
difícil. A temperatura influencia sobre a sobrevivência dos
mosquitos e sobre os parasitas (que transmitem a malária) dos
mosquitos. Em geral, quando mais calor, mais alta é a taxa de
infecção", explicou o doutor Campbell-Lendrum.
Com o
aumento das temperaturas e do número de inundações, a malária
já está aparecendo em regiões que ainda não tinham registrado
casos da doença. Outra fonte de preocupação, as doenças
diarréicas. Neste caso, a temperatura desempenha um papel
crucial.
"Em
inúmeros casos, a bactéria que infecta a água ou o alimento
sobrevive melhor a uma temperatura mais elevada. Mas, o
aumento do número de inundações e, sobretudo, das secas, vai
contaminar as fontes de água. Por exemplo, em períodos de
seca, as pessoas estocam água durante muito tempo e lavam
menos as mãos", explicou o pesquisador.
"Uma
de nossas maiores preocupações é a subnutrição. Este é o
principal fator de má saúde e ela mata 3,5 milhões de pessoas
por ano. (Com a mudança climática), a produção de alimentos
deve aumentar ligeiramente em países ricos, mas deve cair em
torno do Equador. Os que mais precisa de alimentos terão
menos", destacou o doutor Campbell-Lendrum.
No
entanto, como destacou Banon Siaka, um engenheiro de Burkina
Faso, "concordamos com esta constatação, mas existe um
desafio: como se desenvolver e poluir menos? É difícil".
"Os
países africanos são os que menos contribuíram para a mudança
climática e são eles que sofrem mais", disse a doutora Neira.
"Nós não queremos em caso algum comprometer a luta contra a
pobreza nos países mais pobres. Os países ricos, que
contribuíram para a maior parte do problema, devem dar o
primeiro passo", afirmou o doutor Campbell-Lendrum.
"Exemplos de desenvolvimento durável podem permitir também
reduzir as emissões de fases do efeito estufa e melhorar a
saúde", garantiu. "Não é uma escolha entre desenvolver e não
desenvolver, mas como desenvolver".
Fonte:
http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI3141558-EI238,00-Clima+pode+matar+milhoes+de+pessoas+ate.html |
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